segunda-feira, 4 de maio de 2009

Reflexões sobre o Movimento de Casas de Estudantes e Assistência Estudantil (pt1)

Então, nem sei por onde começar. Na verdade sei: este documento é MUITO DO CARAIOOO. Então, muito bom mesmo. Valeu Teodoro Neto.

Já tenho ele há agum tempo (mas por qualquer motivo que agora me parece incompreensível), eu ainda não o havia lido. Pois bem, o li e é preciso que ele seja lido por muito mais gente. Principalmente quem está chegando agora!!

Quando reenviá-lo para a lista da sencebrasil@yahoogrupos.com.br comento mais sobre ele.

Postarei em partes para facilitar a leitura, mas desde já segue o arquivo completo.
Reflexões sobre o Movimento de Casas de Estudantes e Assistência Estudantil de Teodoro Neto.
Aqui: http://www.flyupload.com/?fid=196117203


Reflexões sobre o Movimento de Casas de Estudantes e Assistência Estudantil

Duas das principais características do Movimento de Casas de Estudantes (MCE) é o seu caráter de resistência e a dispersão pelo país. A dispersão fica bastante evidente quando se propõe descrever o movimento numa perspectiva mais histórica. Pois os registros dos encontros do movimento (ENCE’s, ERECE’s pré-encontros e reuniões da SENCE) encontram-se espalhados pelos arquivos empoeirados das residências estudantis pelo Brasil a fora. Exceto os que provavelmente foram extraviados. Só agora, depois de 2004, é que os documentos produzidos têm sido guardados na lista de discussão (sencebrasil@yahoogrupos.com.br) ao acesso de tod@s. Portanto, os apontamentos que farei neste texto sobre a história do MCE, baseiam-se bastante no que ouvi de outros militantes mais antigos que eu. Desde meu primeiro ENNECE em 2000, em São Luiz/MA, e meu primeiro ENCE em Goiânia, no mesmo ano.


Histórico dos ENCE’s

Não há informação de onde ou quando foi o primeiro Encontro. O primeiro de que se tem notícia foi o XIII ENCE em Curitiba/PR, em 1988, conforme cartaz envelhecido exposto numa vitrine dos corredores da Casa do Estudante Universitário do Paraná. Considerando-se, portanto, esse dado e que os ENCE’s são anuais, podemos supor que o primeiro teria sido em 1976. Caso não tenha havido nenhuma interrupção como ocorrida em 2001, em Belo Horizonte/MG. Quando, devido a uma greve, os residentes da UFMG só realizaram o XXVI ENCE em 2002.

Quadro Cronológico dos ENCE’s

Edição

Cidade/Estado Sede

Ano

I a XII

?

1976 a 1987

XIII

Curitiba – PR

1988

XIV a XVIII

?

1989 a 1993

XIX

João Pessoa – PB

1994

XX

Recife – PE

1995

XXI

Salvador – BA

1996

XXII

Natal – RN

1997

XXIII

Campinas – SP

1998

XXIV

Aracaju – SE

1999

XXV

Goiânia – GO

2000

XXVI

Belo Horizonte – MG

2002

XXVII

São Luiz – MA

2003

XXVIII

Rio de Janeiro – RJ

2004

XXIX

Curitiba – PR

2005

XXX

Goiânia – GO

2006

XXXI

Recife – PE

2007

XXXII

Santa Maria – RS

2008


Residências e Movimento Estudantis

O movimento estudantil geral (ME) sempre teve uma ligação muito forte com as moradias estudantis. Primeiro, pela própria origem das moradias. As primeiras moradias de que se tem notícia no Brasil foram as famosas “Repúblicas”, denotadamente as de Ouro Preto/MG. Quando no período imperial brasileiro, no século XIX, grupos de estudantes com ideais republicanos se juntaram e foram morar em casarões e sobrados. O próprio surgimento, portanto, dessas “repúblicas” já foi, em si, uma ação política. E porque não dizer: uma ação do movimento estudantil, contra o regime imperial.

Segundo, o próprio surgimento da União Nacional dos Estudantes (UNE), denota essa ligação: Casas – ME. Foi no final dos anos 30 uma moradia estudantil que percebeu a necessidade de organização política dos estudantes nacionalmente. A Casa do Estudante do Brasil, no Rio de Janeiro então Distrito Federal, convoca o 1º Conselho Nacional de Estudantes, e nesse evento se funda a UNE, em 1937.

A Ditadura

No período da ditadura militar brasileira coma repressão instaurada depois do golpe de 1964, essa ligação das moradias com o ME foi bastante conveniente. Principalmente depois da promulgação do Decreto-lei 477 de 1969, que impunha uma série de proibições ao movimento sindical de educação e ao ME. Entre elas: a realização de “passeatas”, “comícios não autorizados”, portar ou distribuir “material considerado subversivo”, aliciar ou incitar a “deflagração de movimento que tenha por finalidade a paralisação de atividade escolar”, etc. Um clima de forte repressão se instalou no país e as reuniões políticas estudantis passaram a ser perseguidas.

Para ilustração essa repressão, podemos exemplificar com o que ocorria no antigo Restaurante Universitário da UFPB no centro de João Pessoa/PB. Durante a ditadura, os estudantes realizavam ali suas reuniões políticas e quando detectavam a chegada da polícia escondiam-se no porão da, então, Residência Universitária Feminina. Fora do alcance dos policiais.

Histórias parecidas como essas são comuns também em outras residências, nem sempre com finais felizes e gosto de aventura. As casas de estudantes foram lugares um pouco mais seguros para os encontros do ME. Nesses espaços o poder da repressão não era tão ilimitado. Tratava-se de moradias de estudantes. Difícil impedi-los de se reunirem em casa. Mesmo assim, o regime não deixou de tentar, nas residências foram realizadas batidas policiais, prisões, violência. Os agentes da repressão sabiam que ali, o ME sobrevivia e tentava se organizar na surdina.

(...) Continua

Teodoro Neto
Abril de 2008, Recife – PE.


x - x - x - x

Danilo, ufs
Sennece sec. Gêreno
Feop

2 comentários:

Ray disse...

Texto bem interessante,vou utilizá-lo como apoio para meu projeto sobre moradia universitária.Obrigada!

Emanoel Cunha disse...

Tive o prazer de conhecer o Teodoro. Sua reflexão serviu-me de exemplo para ser militante do movimento estudantil.

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